Sobrevivendo
“Quando não estás aqui Sinto falta de mim mesmo E sinto falta do meu corpo junto ao teu Meu coração é tão tosco e tão pobre Não sabe ainda os caminhos do mundo”
(Legião Urbana – Sete Cidades)
Ou eu não sou do tipo que corta os pulsos
Terminar um relacionamento é sempre difícil. Doí, e bastante. Especialmente se você ama muito a pessoa e se também sabe que a pessoa te ama. Passei por essa barra. E embora pareça, não é o fim do mundo. É claro que quando a gente leva o pé na bunda, doí mais, afinal ser rejeitado é foda. Mas machuca também quando é a gente que decide colocar o ponto final na história.
Quem acompanha as minhas aventuras afetivas sabe que até pouco tempo atrás estava vivendo um relacionamento à distância. E mesmo com a quantidade imensa de text messages, ligações internacionais e os mútuos "I love yous", infelizmente chegou a hora. E, aí meu Deus como doeu. Tem gente que acha que só porque foi você que terminou, no dia seguinte já tem que estar lépida e faceira atrás de outro. Ah, como cansei de ouvir essa baboseira.
Eu sofri muito. Passei por todas as fases. Normal. Quis voltar atrás, não sair da cama por dinheiro nenhum do mundo e me entupir de porcaria (na verdade me entupi de porcaria mesmo). Chorei rios, pensei em como iria viver sem ele, pensei que iria morrer. Uma coisa assim meio Werther, só que sem revólver, mas talvez com veneno de rato, embora não tenha, nem rato, nem veneno lá em casa. Ou quem sabe com uma overdose de xarope Vicky. Tive minhas crises, tirei todas as músicas deprê do meu ipod, mas não adiantou. Caí no choro, atrás de óculos escuros, diga-se, em plena Quinta Avenida, ouvindo “My Generation”, do The Who. Pode? Pode. E acontece.
Como também acontece de passar. Não morri. Um belo dia, o sol estava brilhando e você começa a reparar na cara das pessoas ao seu redor e na vida que, meio que parou, enquanto expiava a dor de amor. O ipod voltou a ter todas as músicas de antes, e já não quero mais cortar os pulsos toda vez que ouço Damien Rice ou Morrissey. E quando menos espera, depois de seus amigos tanto insistirem você volta a sair de casa. E com o tempo, sempre ele, já está lá no bar, flertando com o gatinho de olhos verdes. Ih pronto vai começar tudo de novo. Mas sem cortar os pulsos ou tomar veneno de rato, que não sou disso.
Escrito por lilresan às 15h19
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